Era filho de sírio com uma sertaneja. Atuou em diversas
áreas da cultura brasileira. Seu primeiro livro foi Me segura qu'eu vou dar um
troço, de 1972. Em 1997, ganhou o Prêmio Jabuti de Literatura com o livro de
poesia Algaravias. Seu último livro foi Pescados Vivos, publicado em 2004, após
sua morte.
Foi letrista de canções de sucesso, como Vapor Barato, em
parceria com Jards Macalé. Amigo do poeta Torquato Neto, editou seu único
livro, Os Últimos Dias de Paupéria, lançado postumamente. Suas canções foram
intérpretadas por Maria Bethânia, Caetano Veloso, Adriana Calcanhotto, Gal
Costa e O Rappa, entre outros. Na década de 1960, participou do movimento
tropicalista.[2]
Nos anos 1990, Waly Salomão dirigiu dois discos da cantora
carioca Cássia Eller. São eles Veneno AntiMonotonia (1997) e Veneno Vivo (1998).
Trabalhou no Ministério da Cultura, como assessor de
Gilberto Gil, no início de seu mandato, e uma de suas propostas era a inclusão
de um livro na cesta básica dos brasileiros.
Algumas poesias dele:
Não choro
meu segredo é que sou rapaz esforçado
fico parado calado quieto
não corro não choro não converso
massacro meu medo
mascaro minha dor
já sei sofrer
não preciso de gente que me oriente
Se você me pergunta
como vai
respondo sempre igual
tudo legal
Mas quando você vai embora
movo meu rosto do espelho
minha alma chora
vejo o Rio de Janeiro
vejo o Rio de Janeiro
comovo, não salvo, não mudo
meu sujo olho vermelho
não fico parado
não fico calado
não fico quieto
corro choro converso
e tudo mais jogo num verso
intitulado MAL SECRETO
e tudo mais jogo num verso
intitulado MAL SECRETO
Gigolô de bibelôs
Waly Salomão
Hoje
O que menos quero pro meu dia
polidez,boas maneiras.
Por certo,
um Professor de Etiquetas
não presenciou o ato em que fui concebido.
Quando nasci, nasci nu,
ignaro da colocação correta dos dois pontos,
do ponto e vírgula,
e, principalmente, das reticências.
(Como toda gente, aliás...)
Hoje só quero ritmo.
Ritmo no falado e no escrito.
Ritmo, veio-central da mina.
Ritmo, espinha-dorsal do corpo e da mente.
Ritmo na espiral da fala e do poema.
Não está prevista a emissão
de nenhuma “Ordem do dia”.
Está prescrito o protocolo da diplomacia.
AGITPROP – Agitação e propaganda:
Ritmo é o que mais quero pro meu dia-a-dia.
Ápice do ápice.
Alguém acha que ritmo jorra fácil,
pronto rebento do espontaneísmo?
Meu ritmo só é ritmo
quando temperado com ironia.
Respingos de modernidade tardia?
E os pingos d’água
dão saltos bruscos do cano da torneira
e
passam de um ritmo regular
para uma turbulência
aleatória.
Hoje...

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