"A arte que liberta não pode vir da mão que escraviza"
Esse movimento é o encontro das tribos que fazem e mobilizam a cultura independente do Méier e da zona norte. Essa ação tem como uma de suas propostas organizar localmente um circuito independente, onde artistas, produtores e coletivos culturais possam trocar ideias, mostrar seus respectivos trabalhos, além de levar informação, cultura e entretenimento gratuito de qualidade de forma democrática ao público. Acontece toda quarta às 20:30h. Rua Silva Rabelo com Rua Medina(na “Mini Ramp”).
sábado, 29 de dezembro de 2012
Trechos do Manifesto da 1ª semana de arte moderna da PERIFERIA.
"A arte que liberta não pode vir da mão que escraviza"
**Manifesto da Antropofagia periférica**
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
A Roda do tempo.
O tempo passa e qual peça encaixamos no mundo que construímos? A cada giro do relógio a vida convida para o novo e sempre de novo e de novo e de novo... no looping eterno do tempo recomeçamos quebra-cabeças. Mude que o mundo muda com você.
É hora de parar e refletir sobre o fim de mais um ciclo e nos preparamos para a próxima jornada da nossa nave viajante Terra em torno do sol. Para seguir melhor nas voltas que o tempo dá é recomendável acompanhar a cadência da vida e caminhar com leveza, como as notas musicais que saltam no tempo libertando-se do silêncio para mover sonhos e emoções. Para toda realidade que parece impossível de mudar há um sonho que a desafia. Liberte seus sonhos e espalhe seu canto em cada canto da cidade. Feliz 2013!
Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas ...
Que já têm a forma do nosso corpo ...
E esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos
mesmos lugares ...
É o tempo da travessia ...
E se não ousarmos fazê-la ...
Teremos ficado ... para sempre ...
À margem de nós mesmos...
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Fernando Pessoa
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
Compromisso com a resistência cultural!
O Rap é compromisso social, é a voz do gueto que se liberta e desfaz preconceitos, mostrando a criatividade e a expressão daqueles que são excluídos da sociedade marcada pelo racismo e pelas diferenças de classe, que impõe padrões hegemônicos e referências de linguagem que privilegiam as elites, negam o universo das favelas e periferias das grandes cidades. Seja no Brasil ou no país de origem do gênero musical (EUA) é a cultura negra que marca o ritmo e a poesia envolvente, e no embalo eloquente das palavras encadeadas libertam os corpos oprimidos, resignificando o sentido das coisas em uma linguagem própria das ruas. Toda a cultura hip hop, que engloba o break, o Rap e o graffite é um grito de liberdade dos jovens que em vez de consumirem e aceitarem a cultura que lhes é imposta por um mercado cultural sedutor, resistem através de sua própria arte e se afirmam como protagonistas, produzindo e elaborando seus próprios conteúdos de maneira autentica e independente. Que fique claro que o Rap representa luta e a resistência acontece no campo da cultura, contra o racismo, opressão social, violência policial e outros dramas que os negros e moradores de áreas e comunidades pobres conhecem muito bem. Só eles podem falar com propriedade real sobre o assunto e através da sua arte e expressão criam suas próprias referências. Não é o jornalista, o assistente social ou o antropólogo traduzindo em códigos os sentimentos, as dores e as alegrias do gueto. É o gueto, é a periferia, é a favela a comunicar ao mundo a sua realidade de maneira peculiar, usando a palavra e o ritmo, mostrando com o corpo e com as imagens que no gueto existe criatividade, beleza, vontade de liberdade, desejo de expressão e união.
“O rap quer ser uma exceção (...) se você
parar pra analisar, periferia é desunido. Rap, o rap é uma exceção que ainda
fala de união num lugar onde não se fala. Qual é o lema da periferia? “Cada um, cada um‟ e o rap é o quê? “É nóis na fita‟, é outra ideia. Esse bagulho de ”é nóis, é nóis‟ é coisa de
rap. Malandro quando tem dinheiro se joga. O cara quando ele tem dinheiro, ele
vai embora. Ele tá ligado que os próprios caras da quebrada vai crescer o
olho... vai casar uma casinha pra ele cair, um barato, e o rap ainda prega o
contrário, não, vamo tentar. Vocês são unidos, eu to vendo que vocês são
unidos. Não é totalmente... não é tão individual assim.
Querendo ou não, vocês são ligados, eu
sou ligado a eles. Eu sou ligado a ele
indiretamente, agora tô ligado a você indiretamente, e você ligado a outros e
outros são ligados a outros, nóis tamo aí, é uma teia. É uma teia. É uma teia.
Fora daqui você não vai ver isso muito, você não vai ver isso na rua. Essa
união que nóis tamo falando não existe em outro lugar nenhum, em movimento
nenhum, em profissão nenhuma.” (BROWN, In: 100% Favela,
2006).
O
estilo é marcado pelo ritmo dos tambores africanos, pela cultura negra
introduzida pelos pioneiros do estilo (os jamaicanos) que imigraram para os EUA
nos anos 60 e faziam festas populares nas ruas com DJs e sistemas de som muito
populares na época. Com a tecnologia dos sistemas de som e a prática da reunião
comunitária em festas populares, o Rap, que no linguajar dos negros
afro-americanos (nos anos 60) também significava conversar, se apresenta como
uma novidade, mostrando uma realidade até então era considerada marginal. No
entanto, o que era uma perspectiva local se multiplica, no início sem muita
ajuda da mídia. É com o canto falado que os jovens de comunidades pobres das
grandes cidades se comunicam entre si e das caixas de som nas esquinas das
metrópoles pôde ser ouvida a voz dos guetos de Nova York, que se espalhou pelo
mundo e encontrou eco em outras comunidades em grandes cidades. Entre essas
grandes metrópoles, podemos incluir o Rio de Janeiro e São Paulo nos anos 80,
onde o Rap foi acolhido no gueto como se fosse um velho conhecido, pois já
tínhamos as rodas de samba, de capoeira e a cantoria nas esquinas. O estilo
então foi crescendo, primeiro em São Paulo, depois no Rio, encontrando na
periferia e na favela um terreno fértil. Hoje é um ritmo bem difundido no mundo
inteiro, mas essa trajetória sempre foi marcada pela solidariedade e ajuda mútua,
fazendo dessa cultura uma maneira de lutar contra a opressão social agregando
de maneira consciente e organizando a resistência pela inteligência, informação
e ação.
Na
medida em que o Rap se populariza, cresce a sua permeabilidade nas camadas
sociais mais variadas e se torna um gênero musical “da moda”, cresce também a necessidade
da mídia capturar essa cultura e distorcer suas raízes, subvertendo sua visão
principal para torná-la um produto mais vendável. O mercado cria seus produtos
e para vendê-los, por vezes, mudam a forma ou apresentação, mas quando estamos
falando de arte, estamos falando de expressão humana, liberdade e não de
mercadorias. Cabe ao artista fazer a escolha, respeitar a escola sem precisar
se vender, sem mudar o proceder. Não é o Rap que tem que mudar pra ser “aceito”
pela sociedade, é a sociedade que tem que aceitar a sua realidade, essa é a
visão, o Rap tem algo a dizer para o mundo e não se trata de um modismo é uma
história construída de resistência e militância que deve ser respeitada. Mas é
claro que há uma troca, o Rap precisa evoluir e se expandir e para evoluir é
importante trocar, mas trocar é diferente de ceder ou se vender. Quando
trocamos estamos em uma relação que no mínimo é bilateral e pode ser
multilateral, no outro caso, nos dobramos diante do domínio cultural do outro
que nos impõe seus padrões de expressão. Essas são as armadilhas do mercado e a
mesma mídia que levanta, derruba, ridiculariza e depois abandona. Portanto, é a
união, o fortalecimento de uma rede de colaboração e trocas que vai marcar o
Rap como um movimento cultural forte e não a aceitação de seus produtos no
mercado cultural. Nunca se esqueçam do mais importante que é “nós por nós”! Juntos nós fazemos a roda girar e quando a
roda gira o mundo gira com ela e se transforma.
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
O poeta da semana é Waly Salomão.
Era filho de sírio com uma sertaneja. Atuou em diversas
áreas da cultura brasileira. Seu primeiro livro foi Me segura qu'eu vou dar um
troço, de 1972. Em 1997, ganhou o Prêmio Jabuti de Literatura com o livro de
poesia Algaravias. Seu último livro foi Pescados Vivos, publicado em 2004, após
sua morte.
Foi letrista de canções de sucesso, como Vapor Barato, em
parceria com Jards Macalé. Amigo do poeta Torquato Neto, editou seu único
livro, Os Últimos Dias de Paupéria, lançado postumamente. Suas canções foram
intérpretadas por Maria Bethânia, Caetano Veloso, Adriana Calcanhotto, Gal
Costa e O Rappa, entre outros. Na década de 1960, participou do movimento
tropicalista.[2]
Nos anos 1990, Waly Salomão dirigiu dois discos da cantora
carioca Cássia Eller. São eles Veneno AntiMonotonia (1997) e Veneno Vivo (1998).
Trabalhou no Ministério da Cultura, como assessor de
Gilberto Gil, no início de seu mandato, e uma de suas propostas era a inclusão
de um livro na cesta básica dos brasileiros.
Algumas poesias dele:
Não choro
meu segredo é que sou rapaz esforçado
fico parado calado quieto
não corro não choro não converso
massacro meu medo
mascaro minha dor
já sei sofrer
não preciso de gente que me oriente
Se você me pergunta
como vai
respondo sempre igual
tudo legal
Mas quando você vai embora
movo meu rosto do espelho
minha alma chora
vejo o Rio de Janeiro
vejo o Rio de Janeiro
comovo, não salvo, não mudo
meu sujo olho vermelho
não fico parado
não fico calado
não fico quieto
corro choro converso
e tudo mais jogo num verso
intitulado MAL SECRETO
e tudo mais jogo num verso
intitulado MAL SECRETO
Gigolô de bibelôs
Waly Salomão
Hoje
O que menos quero pro meu dia
polidez,boas maneiras.
Por certo,
um Professor de Etiquetas
não presenciou o ato em que fui concebido.
Quando nasci, nasci nu,
ignaro da colocação correta dos dois pontos,
do ponto e vírgula,
e, principalmente, das reticências.
(Como toda gente, aliás...)
Hoje só quero ritmo.
Ritmo no falado e no escrito.
Ritmo, veio-central da mina.
Ritmo, espinha-dorsal do corpo e da mente.
Ritmo na espiral da fala e do poema.
Não está prevista a emissão
de nenhuma “Ordem do dia”.
Está prescrito o protocolo da diplomacia.
AGITPROP – Agitação e propaganda:
Ritmo é o que mais quero pro meu dia-a-dia.
Ápice do ápice.
Alguém acha que ritmo jorra fácil,
pronto rebento do espontaneísmo?
Meu ritmo só é ritmo
quando temperado com ironia.
Respingos de modernidade tardia?
E os pingos d’água
dão saltos bruscos do cano da torneira
e
passam de um ritmo regular
para uma turbulência
aleatória.
Hoje...
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
O poeta Torquato Neto é o homenageado dessa semana.
Cogito
eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível
eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora
eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim
eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranquilamente
todas as horas do fim.
terça-feira, 9 de outubro de 2012
Rap e literatura
Grande projeto da rapaziada de Diadema, São Saulo. Rap é ritmo e poesia, unir a literatura e o rap é fazer revolução na cidade e na linguagem. O livro é a principal arma do revolucionário. Instrumentos de luta contra a opressão, o livro e o rap são sinônimos de transformação, quando o gueto fala o doutor abaixa a orelha. O rap captura a informação dos livros e pode quebrar a barreira do preconceito, falando a linguagem dos territórios das ruas com ritmo, poesia e conteúdo. O rap é a nova voz do gueto, a nova voz das ruas.
O canto, o ritmo e a palavra estão presentes nas reuniões e rodas descritas por toda a história da humanidade. Não podia ser diferente nos tempos atuais, a galera gosta de uma roda, seja de conversa, de música e por que não literatura? Roda de livros sim, rap sim. Roda Cultural do Méier, estamos juntos e misturados em ritmos, afetos e palavras.
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